quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Relíquias pessoais - Qual o valor da sua história?

Imagino se todos guardam na memória o primeiro texto que escreveram na vida.
Aquela redação de escola sobre as férias, uma narrativa sobre seu bichinho de estimação ou poucas linhas em algum diário colorido sobre o primeiro amor com quem você dividiu o lanche no recreio.
Meus primeiros textos não foram escritos à mão. Foram datilografados em uma Olivetti Lettera 82 portátil de cor verde escura. Uma grande invenção do inicio dos anos 1980. Em casa, a máquina de escrever não tinha muito uso. Eu a utilizava como “maletinha de médico” antes de começar a ler. Pra mim, a engenhoca tornou-se uma verdadeira diversão quando me dei conta de sua função real.
Eu nunca fui lá uma criança dentro dos padrões comuns. Entre brincadeiras de boneca e jogos de tabuleiro, eu preferia mesmo “catar milho” na Olivettinha e passei muitas tardes escrevendo contos ou recriando estórias de filmes que assistia.
O tempo passou, a máquina quebrou e infelizmente meus textos se perderam na memória. Até ontem à tarde...
Descendo a rua de casa, após um cansativo dia de trabalho, lá estava ela! A pequena Olivetti verde 82, empoeirada, mas inteirinha. Jogada em uma dessas caçambas de entulho em frente à um sobrado. Não pude resistir.
Toquei a campainha: “Boa tarde! A senhora jogou essa máquina de escrever na caçamba? Se não tiver problema, posso pegar?”.
A mulher do sobrado disse que havia acabado de colocar a peça vintage no lixo, junto a centenas de outros “cacarecos” do ex-sogro. “Não sei se essa coisa aí funciona ainda, mas se gosta, pode levar”, disse muito simpática, mas com tom de desdém pelo objeto.
Eu não contive minha felicidade ao tirar a tampa da máquina e constatar que não somente ela funcionava como parecia recém-saída da fábrica e estava com a fita de tinta preta e vermelha praticamente intocada. Tudo que precisei fazer foi passar um bom pano para tirar o pó e pronto! Corri escada acima, peguei uma folha em branco da impressora e comecei a datilografar para sentir se a belezinha realmente funcionava. Não escutava aquele barulho peculiar das teclas batendo seguido do sininho que indica final de parágrafo há anos. Logo percebi as diferenças entre a digitação na Olivetti para o teclado do laptop. Em pouco tempo minhas articulações começaram a ficar doloridas. A máquina é mais alta, desengonçada pra quem desacostumou.
A verdade é que eu não trocaria a modernidade do computador e todos os seus recursos em prol do retrô. Por mais que goste de tudo que me remete esses objetos é impossível abrir mão da vida eletrônica e cibernética na era do jornalismo em tempo real.
De qualquer forma, bateu uma certa melancolia. Quase a mesma sensação que tenho quando vou a um sebo e encontro jóias raríssimas da literatura às traças. Apesar de ser contra o apego material, o descarte histórico devido à obsolescência me deixa chateada. Imaginei quantas historias não foram escritas em maquinas como aquela. Quantas cartas significantes foram redigidas em Olivettis portáteis ou imponentes Underwoods que hoje perecem nos lixões da vida. Claro, o progresso se faz necessário! Mas não será importante também manter o registro evolutivo a fim de despertar e perpetuar a sensibilidade humana por meio da valorização do que é antigo?
Não falo sobre peças conservadas em museus. Não falo sobre o fútil toque vintage onde objetos fabricados reproduzem antiguidades para decorar salas de estar que ostentam o suposto bom gosto pequeno burguês.
Falo sobre aquele vaso grotesco que foi da sua avó e que um dia foi usado para colocar as flores que ela recebeu do primeiro namorado. Falo sobre a poltrona onde seu bisavô sentava para ler contos de fadas para sua mãe. Falo sobre aquele radinho de pilha esquecido no fundo de uma gaveta qualquer e que serviu para o seu avô escutar a vitoria do time de futebol do coração enquanto esperava o bonde passar pra voltar pra casa. Falo de uma boneca de pano surrada ou daquele cavalinho de madeira que em um certo Natal foi o melhor presente que uma criança poderia ganhar.
Quantos desses você tem em casa? Quantos desses não estão empoeirados em uma caixa num quartinho, porão ou sótão? Quantos desses não estão em uma caçamba, prestes a serem destruídos assim como a (agora) minha Olivetti? Quantos desses você conhece a historia que há por trás?


 
Com influência da cultura pop em suas cores e design, versões mais antigas da
italiana Ollivetti Lettera hoje são expostas em lugares como o The Museum of
Modern Art (MoMA), em Nova York - Arquivo MoMa

Minha Olivetti. De lixo à relíquia  




sexta-feira, 13 de junho de 2014

VALEU CADA SEGUNDO

Valeu toda a correria, chuva, sol, bronca, revisão de lista, troca de uniforme, destroca de uniforme, horas e horas de stress e tensão, phone calls, subida e descida de escada, greve e alergia causada por cheiro de tinta fresca e poeira...
VALEU!!!!!
Mesmo com a gastrite atacada, os pés doendo, a falta de tempo pra fazer o cabelo e com toda a saudade de casa...
VALEU!!!!! 
Valeu pela experiência, pelo futuro currículo, pelo grito de gol, pelo verde e amarelo defendido por uma jovem seleção, bem no "quintal de casa".
Por tudo isso e muito mais, digo que hoje foi um dos melhores dias da minha vida.
É galera... já caiu a fixa de vocês que nosso trabalho também é fundamental para o acontecimento de um dos maiores eventos esportivos do mundo, sem exagero algum?!
Parabéns pra todos nos e continuamos por aqui.

Até o próximo jogo e obrigada a todos os colaboradores!

terça-feira, 20 de maio de 2014

MENOS DE UM MÊS PARA A COPA

A coisa aqui está a todo vapor.  Fomos transferidos para o estádio há pouco mais de quinze dias.

Oh boy... Itaquerão is really big and so is the mess in it…

Nosso container está na parte posterior da arena, bem junto à construção, e a sensação é a mesma de quando minha casa foi reformada comigo dentro. Muita poeira, cabos, barulho e concreto por todo lado. Nada disso é mostrado na mídia, of course! Vemos na TV somente a parte bonita e acabada do Itaquerão.

Para mim, que nunca tinha colocado os pés dentro de um estádio de futebol na vida, atravessar o portão principal com minha credencial todos os dias é algo completamente surreal.

Percebo a grandiosidade do evento, principalmente quando vejo a curiosidade estampada no rosto das pessoas que passam, param e ficam admirando a obra do lado de fora —seja da passarela do metrô, ou dependurados nas grades da arena. 

Estranho pensar que muitos deles não assistirão a nenhum jogo da Copa, mesmo tendo o estádio ali, praticamente no quintal de suas casas...

A estreia do Corinthians em seu campo oficial, no domingo, não foi lá muito bacana para a torcida alvinegra, com a perda de seu time para o Figueirense e a chuva torrencial, bem na hora do jogo.

Quanto ao lado técnico, apesar de um ou outro contratempo, a organização foi satisfatória, a estrutura manteve-se intacta e já é possível ter ideia de como será a correria no dia dos jogos.

Tenho feito bastante trabalho de escritório e dado assistência ao time de logística da empresa. Por mais incrível e ridículo que pareça, também aprendi a fazer café! Vergonha nenhuma nisso. Estou certa de que servirá no futuro, assim como todas as outras funções que tenho acumulado.

Minha maior preocupação é nossa segurança por aqui. Não dentro, mas nos arredores da arena. Na última semana, presenciamos a movimentação de blocos de protesto. Manifestantes bloquearam pontos da cidade. Unidos contra a Copa em nosso país, alguns deles queimaram a bandeira e pneus na avenida que fica em frente ao estádio.O transito foi impedido, houve confronto com a polícia e muitos helicópteros sobrevoaram o local.

Não há como negar que a revolta do povo tem fundamento. Em um país que tem a saúde e a educação em situações precárias, ver tanto dinheiro gasto em virtude da Copa beira uma afronta à sociedade (especialmente a mais carente), não importa a desculpa que o governo dê.


Apesar da imensa gratidão e privilégio que sinto por esta oportunidade única, meu sentimento também é contraditório, fazendo-me refletir sobre meu beneficio diante das dificuldades de tantos. 

Danilo Verpa/Folhapress

domingo, 27 de abril de 2014

INÍCIO DO PRIMEIRO TEMPO

Hoje trabalhamos por algumas horinhas. Em stand by graças ao atraso nas obras, ainda não há muito que fazer até que o official office da HBS seja instalado no Itaquerão.

Nossa primeira task foi buscar opções de serviços e valores de lavanderias compatíveis com os oferecidos no hotel onde ficará o pessoal encarregado do cabeamento para transmissão.
Daí você pode até imaginar: “Que servicinho fácil, não!?”.
Eu até dou credito ao seu pensamento, não fosse a pressão que sentimos por ter nossa eficiência colocada à prova.

Após detalhar o que deveríamos fazer, nossa mananger pediu que aguardássemos enquanto ela terminava de enviar alguns e-mails. A princípio nós a acompanharíamos para procurar laudromats na sequência.

Pois bem... Fomos deixadas à vontade, do lado de fora da sala, sem maiores instruções.
Meu “desconfiômetro” disparou um alerta vermelho right away e, cinco minutos depois, já sabíamos que a mananger não retornaria tão cedo.

Mais que depressa passei a mão no celular e munida de um nada poderoso 3G, pesquisei (com a mega ajuda de minha partner in crime, Gabriela) todas as lavanderias nas proximidades do hotel indicado.

Enquanto fazíamos anotações, era nítido que nossa autonomia era observada. Membros do staff passavam de uma sala para outra constantemente. Entre um e outro documento que imprimiam, seus olhares estavam discretamente voltados para nós.

Retornamos algum tempo depois com uma bela lista. Satisfeita, ao que tudo indica, a mananger sorriu e nos desejou uma good weekend.

To be continued...


Um adendo
Em meu registro fotográfico algo chamou minha atenção em especial.

Fui usuária da linha vermelha do metro por muitos anos e, assim como muitos brasileiros, me revoltava o descaso dos responsáveis pela estação Corinthians-Itaquera, principalmente quanto à segurança nas premissas do local. Um dos maiores terminais de acesso a diversas áreas na Zona Leste de São Paulo e também interligado com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a CPTM, hoje conta com a vigilância da Polícia Militar, além de melhorias físicas, como cobertura nas passarelas.

Iniciativa digna ou “só pra inglês ver” em virtude da Copa?

Há de se pensar...

Trabalhadores montam a estrutura de apoio para cobertura das passarelas

"Patrulhamento" da polícia 

Área externa do metrô

Obras a todo vapor 

Itaquerão quase finalizado 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

First HBS Meeting

O que seria o primeiro dia de trabalho, na realidade foi uma reunião com nossa supervisora, responsável pela área de logistics. My dear friend Gabriela and I chegamos com meia hora de antecedência à locação provisória da empresa, na Fatec de Itaquera.

Lá, nos deparamos com seis “criaturas” que ocupavam cantos separados em uma sala de aula transformada em escritório. Concentrados, cada um em seu posto, digitavam em laptops como se não houvesse amanhã. Pareciam tão sérios...

Quanto a nossa mananger...

Meus olhos percorreram o lugar à procura de uma mulher de meia idade, vestindo algo como um tailleur e salto alto. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que se tratava de alguém completamente diferente do modelo de executiva que eu imaginei.

Do outro lado da sala estava Francesca. Conversava com um membro do grupo em um misto de inglês e francês. Duas das sete línguas que domina. Vestia camiseta, jeans e tênis. De óculos escuros na cabeça e tatuagens expostas nos braços, me pareceu uma figura muito descolada. “Ufa... Que bom! Vamos trabalhar com gente normal”, pensei aliviada.

Muito calma, a half spanish, half belgian profissional nos orientou sobre nossas funções que começarão oficialmente no próximo dia vinte e oito.

A lot of work pela frente, folks. Milhares de telefonemas, organização de uniformes, listas e mais lista a serem preenchidas, além de airport pickups, o que nos soou como a parte mais interessante.

Sorry não ter escrito antes. Muita correria com a viagem no feriado prolongado. Diga-se de passagem, mega especial. O Sul do país é lindo!

Falando nisso, não é só aqui em Sampa que há problemas por causa da Copa. Ao desembarcar em Curitiba na última sexta-feira, enfrentamos um congestionamento de fazer inveja a Radial Leste, às seis da tarde, em um dia chuvoso. Um grande trecho nos arredores do Martins Pena estava simplesmente parado devido a obras próximas ao estádio, assim como em Itaquera.

O jeito é continuar torcendo para que tudo de certo. Mesmo que seja na última hora.

Keep you updated.  


A 50 dias da Copa, Itaquerão ainda está em obras 

Arredores do estádio 

Trânsito no local às 10h


segunda-feira, 14 de abril de 2014

READY, SET, GOOOOOOOLLLLLLLL!!!!!!!!!!!!!

Hello folks, certim?

Há uma semana na casa dos meus pais, longe dos amigos e da vida sanjoanense, mas bem pertinho do Itaquerão. E como o tempo passa rápido... Parece que foi ontem que me inscrevi para o estágio da Host Broadcast Services (HBS), empresa contratada pela FIFA, responsável por transmitir as imagens da Copa para todo o mundo.
Hoje, com o coração na mão e cheia de expectativas, aguardo o início dos trabalhos na área de logística. Começaria esta segunda-feira, se não fosse por um atrasinho aqui e ali...
Lembrem-se, estamos no Brasil, alright!
Anyways...
Imagino que a movimentação do grupo para o prédio da Fatec, ao lado do estádio do Corinthians, seja em virtude do atraso na reforma da estrutura. Como todos sabem, a empreiteira contratada pelo clube está a little far behind com a obra, mas nem isso me desanima. De acordo com a nossa coordenadora de staff, começaremos na véspera do feriado.
A princípio será mais uma orientação do que trabalho propriamente dito. A coisa deve pegar fogo mesmo daqui a um mês, imagino.
No momento, estou aproveitando minha estadia em Sampa mais indoors. Adiantando alguns trabalhos da facul, lendo bastante sobre o planejamento da empresa, me esbaldando com a companhia dos meus irmãozinhos, respirando fundo toda vez que meus pais se esquecem que há tempos não sou mais criança, chorando as pitangas com meu namorado, via Skype, tadinho...

E, é claro, morrendo de saudades do microfone, da câmera, da redação e de todos os meus amigos do peito. 



quinta-feira, 27 de março de 2014

A BALADA DA JOVEM MULHER MODERNA

Ela escuta Tori Amos, e jura que o sexo da noite passada é puramente casual.

Seu estilo é originalmente copiado e nada além da sola de seus sapatos pode provar o quanto está cansada. Sua maquiagem de catalogo é a máscara perfeita para olheiras e rugas prematuras.

Entre páginas em branco e poemas adolescentes, em sua agenda, contas a pagar, deadlines e uma vida social, repleta de álcool e barulho.

Aos sábados, pela manhã, as bitucas de cigarro e o cheiro peculiar de um ambiente aconchegantemente solitário lembram os anabolizantes intelectuais usados por aqueles com quem divide momentos puramente casuais.

Conversas, conversas, muitas conversas... Sejam textos, chamadas de vídeo, ligações telefônicas ou um simples correio de voz. Conectada às mais diversas redes, assim, ela preenche o vazio trazido pela distância de seus queridos.

Procura sempre um bom livro, um bom papo, um bom programa. E economiza horrores com roupas de liquidação. Desta forma, sobra mais para um restaurante caro e viagens internacionais pagas à prestação. 

Seriado Girls (HBO). Um dos mais perfeitos retratos da jovem mulher moderna já criados para a TV.

domingo, 9 de março de 2014

Mulheres de Almodóvar

Para elas.
Tão fortes,
Tão frágeis.
Maduras... Nem tanto.
Paras as amadas,
Mal amadas
E amantes.
Para as que fingem burrice,
Mas nunca um orgasmo.
Intelectuais petulantes!
Para as que vestem preto
E sonham com vermelho.
Para as que matam
E morrem de amor
Sob a luz,
Sob o breu.
Entre beijos e tapas,
Sussurros e gritos.
Para elas.
Elas, que choram
E rolam de rir.
São todas atrizes natas,
Elas.
Mães, filhas,
Netas, primas e tias.
E até mesmo para as que,
De salto alto,
São, sem nunca ter sido!
Para as que envolvem
Com a palavra certeira
Em lábios rosados,
Olhos pintados...
Como divas da ópera, são!
Para as que tornam HOMENS em meninos.
Passionais,
Sempre dignas de amor e atenção.
Para estas, tudo!
O poder
Entre as pernas,
Do desejo à concepção.
Para elas.
Não, somente mulheres,
Mas Plenamente mulheres,
São!
    
    A.D.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

SALVE PROFETA GENTILEZA!


O "bicho-humano" é extremamente complicado. Cada um carrega uma serie de pré-supostos com sigo e nem sempre enxergamos o quanto afetamos ao próximo através de nossas atitudes impensadas ou não. Se cabe aqui minha humilde opinião, deveríamos todos ser adeptos de um dos exercícios mais difíceis da vida, o de se voltar para o umbiguinho, com sabedoria e humildade suficiente para assumir os nossos erros e fraquezas ao menos uma vez por dia. Que nossa ignorância não permita que aqueles que nos tem apreço se afastem em virtude de nossos atos ou maus hábitos, pois nunca sabemos quando o calo vai apertar. E ele sempre aperta!
Saber calar, assim como ser tolerante, é sem sombra de duvida uma virtude, pois somos todos falhos e não ha muralha que não se quebre sobre grande pressão. Toda via (mesmo sem nunca ter sido de acender vela aos domingos e bem longe de ser uma devota cristã), acredito muito naquela "máxima", infelizmente já batidinha, que minha avó sempre repetia "Trate os outros como você gostaria de ser tratado sempre”.
Ninguém tem culpa por sua mala estar tão carregada, mas talvez, se você não for tão arrogante com os seus colegas de vôo, eles até poderão te ajudar a carrega-la, tornando seu peso infinitamente mais leve e possibilitando desta forma, que todos embarquem bem neste “enorme avião”.  
                               

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Velho Muchacha


No último domingo, estava eu zapeando entre canais, esperando ser atingida pelo sono que nunca vem antes das 2 da madrugada. Quando me deparei com uma curiosa figura que estava sendo entrevistada por Marília Gabriela no “De Frente Com Gabi”. Pra minha sorte o programa tinha acabado de começar e pude ver assim, toda a sabatina que Gabi fez com o cartunista Laerte Coutinho. Pra quem não sabe de quem se trata, o cartunista é famoso por suas tiras em revistas e jornais desde a década de 70, com suas figurinhas carimbadas como Piratas do Tiete, Overman e Suriá. A mais ou menos dois anos, o cartunista tem vindo a publico, sem medo de ser feliz travestido como mulher. Ele diz não se tratar de uma nova identidade, mas sim de um estilo de vida adotado, intitulado crossdressing, que exterioriza seu lado feminino.
O que mais me chamou a atenção nessa entrevista foi em especial, como o tema foi abordado e destrinchado (se assim for possível dizer) abertamente com a maior naturalidade do mundo, tanto por Marília Gabriela quanto por Laerte, que pode falar desde assuntos tão sérios como preconceito, auto-aceitação e bissexualidade até os critérios que usa na hora de escolher o que vai vestir.
Já havia visto outras entrevistas com ele em alguns programas, mas todas tinham como “primeiro plano” o lançamento de um determinado livro, ou a participação do cartunista dentro do mundo das charges. Claro que entre um assunto e outro, como não se poderia ignorar, Laerte era questionado muito delicadamente sobre sua nova atitude, se pretendia mudar de sexo ou algo parecido. Ele respondia sempre com muita educação e desinibição, mas os entrevistadores não iam muito além com as perguntas, aparentemente tentando evitar maiores constrangimentos.
Constrangimentos para quem, eu não sei! Mesmo até porque o próprio Laerte se mostra completamente resolvido com a sua escolha. Me espanta que a imprensa trate esse assunto com tantos “dedos”. Verdade seja dita, o cartunista não era chamado pra dar entrevistas há muito tempo. Passa a usar cabelos cumpridos, unhas pintadas, maquiagem, jóias e roupas femininas e logo é chamado pra uma aparição atrás da outra na TV, e apesar disso ninguém tem coragem o suficiente de perguntar o que todo mundo quer saber.
Parabéns ao programa da Marília Gabriela por ir mais além de forma tão sincera e respeitosa para como o convidado. Isso deveria servir de exemplo para uma sociedade arcaica que ainda nega-se a tratar com naturalidade as diferenças entre os indivíduos sejam elas quais forem. Tudo o que possa fugir a um devido padrão continuará a causar espanto ou repulsa em muitos enquanto tais assuntos ainda forem abordados como tabu pela mídia.   



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Fora de Kyoto

O Canadá anunciou sua respectiva saída do protocolo de Kyoto, que visa o comprometimento de alguns países em diminuir a emissão de gazes prejudiciais a camada de ozônio.
O país, que deveria a principio atingir uma meta de diminuição até 2012, tem aumentado seus índices de poluição, o que o levaria a pagar uma multa bilionária. Conforme vemos ao longo dos tempos o fator mais importante para grandes potencias como esta, seria fazer geral a economia de maneira progressiva. Seguindo os Estados Unidos como bom exemplo, mesmo em tempos de conscientização ambiental, parece indispensável que a população compre cada vez mais e que empresas de grande porte possam continuar com seu ritmo desenfreado de crescimento a todo custo. Hoje em dia temos um numero cada vez maior de carros nas ruas das grandes cidades emitindo gazes na atmosfera, assim como diversas companhias estabelecem-se gerando não só mais empregos como mais maquinaria, verticalização constante, acumulando ilhas de calor, mais aparelhos de refrigeração ligados...
Em fim, cada país escolhe o que é melhor para si em termos de desenvolvimento mesmo que isso gere um problema climático gravíssimo no futuro. Vivemos em um mundo moderno e infelizmente temos que arcar com isso a duras penas. Seria uma ingenuidade pensar que ações feitas inicialmente com o intuito de amenizar tal situação, como o protocolo de Kyoto, teriam cem por cento de eficácia quando em escala global o que fala mais alto é sempre o dinheiro.           

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sad But True


Uniformes Patrocinados

A partir de 2012 escolas estaduais de Alagoas poderão ter logotipos de empresar estampadas nos uniformes de seus alunos. Por falta de recursos do governo para a compra (imagino quanto desse dinheiro, destinado a atender a educação, não esta sendo desviado para os bolsos de terceiros), empresas privadas estariam dispostas a fornecer os uniformes em troca da exposição de sua marca nas vestimentas dos pequenos estudantes.
Isso faz pensar o que seria mais vergonhoso: a falta de verba do Estado ou a possibilidade de fazer desses jovens outdoors ambulantes. Uma total falta de respeito. Este seria um fator a mais para comprovar que camadas mais favorecidas sempre encontram uma forma de tirar proveito das menos favorecidas. Só para constar, Alagoas apresenta o maior índice de desigualdade social do Brasil.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Impressões de Uma Nerd Vivendo no Interior



Nos últimos dias tenho parado pra prestar mais atenção a tudo a minha volta. Ja estou morando aqui em São João da Boa Vista a quase três meses e confesso que não imaginava que me sentiria tão bem como estou. Algo no ar passa a sensação de abrigo. A maioria das pessoas aqui, realmente param pra te escutar e conversar com você demonstrando um prazer sincero em faze-lo como dificilmente eu encontrava em São Paulo.

Acho que serei sempre uma eterna apaixonada pelo estilo metropolitano e sinto uma certa falta das peculiaridades paulistanas, como a beleza dos arranha-céus, a agitação do centros a noite e a diversividade cultural (entretenimento ainda e muito restrito aqui). Isso só pra falar da parte boa, claro! Muita coisa la já estava me deixando maluca. Não aguentava mais toda aquela correria diária, o alto custo de vida, o transito, metro lotado, a falta de educação generalizada a sujeira... Sem falar em como alguém pode se sentir estranhamente solitário em meio a tanta gente. Por outro lado, agora tenho uma boa desculpa pra passear e ver meus velhos amigos cada vez que desembarco na rodoviária do Tiete uma vez por mês.

Me divertido aqui, tenho feito novos amigos e embora deteste o calor exagerado, adoro quando bate a brisa da serra a noite. Acho engraçado ouvir o sotaque carregado de erres do povo, a forma "brejeira" como vivem e principalmente como mudei meu ponto de vista desde que decidi vir pra cá por enquanto. O rumo das coisas pode mudar tanto em tão pouco tempo... Só me faz pensar que realmente não temos certeza de nada.  
Logo eu, que sempre amaldiçoei a até então vidinha pacata do interior, hoje pago pela minha boca grande e cheia de dentes, me sentindo em total harmonia com o mundo só por poder apreciar a simplicidade num céu totalmente claro e estrelado em uma noite de verão, que eu nem sabia que existia em meio a camadas grosas de poluição da cidade grande. Jurava pra mim mesma que nunca adotaria um lugar com menos de 1 milhão de habitantes como lar, e no entanto acabo de voltar da universidade local, onde fiz minha inscrição para o próximo vestibular de 2012, com primeira opção no curso de jornalismo, ciente de que vou assumir um compromisso de no mínimo quatro anos de estudos e muitas expectativas na Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos.



Vista Aérea de São João 


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

The Swell Season


Banda de folk rock, formada por Glen Hansard e a pianista Marketa Irglova. Os dois estrelaram o filme Once, de 2007, com direção de John Carney. O filme conta a estória da amizade surgida através da afinidade musical dos personagens.
Suas musicas são tão lindas quanto o filme e a voz de Glen chega a doer na alma de quem se identifica com as letras de suas canções. 
O nome The Swell Season foi escolhido por ser o titulo do livro favorito de Hansard, escrito por Josef Skvorecky em 1975. 





segunda-feira, 25 de julho de 2011

Meia Noite em Paris by Woody Allen

Muito bom. Owen Wilson lembra os velhos personagens do Woody dos anos 60, super elétrico e paranoico assim como em Annie Hall. Foi o primeiro filme de que realmente gostei da atuacao de Wilson. 
Me faz pensar como seria se pudesse voltar no tempo e ver todos os meus ídolos do passado.

sábado, 2 de julho de 2011

Back on Planet Earth Again


Todo mundo ja passou por isso pelo menos uma vez na vida, em algum momento.
Dor, raiva e uma vontade de enterrar a cabeça na terra como uma avestruz.
Mas no final... (pois sempre ha um final) você se recobra. Mesmo que tenha que reajustar todos os planos que fez e que incluíram outras pessoas que não estão mais la.
Se você, como eu, esta passando por isso, devo lhe dizer para seu próprio bem:
Passa, isso passa! Por mais que agora você se sinta um tremendo lixo. Passa!
Há milhões de pessoas la fora.
E mesmo quando você pensou que todo esse tempo investido foi em vão. Entenda que não foi. Pense em todas as coisas boas que dividiu com esse alguém que não é mais presente em sua vida, e o quanto cresceram juntos, cada nova experiência na companhia de alguém amado. Não tem preço e saiba também que uma outra historia esta prestes a ser escrita.   


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Hello folks! Your Belle and Sebastian nut, here.


And before anything...Yes, I still think that my favorite band is the best band ever, like anyone else ;-) 

They've really come a long way from the simplest video clips such as "Dog on Wheels" and "A Century of Fakers" to this brand new "Come on Sister".
As a retro fan, I'd like to say that those early home made video types from B&S are for me just the perfect image translation of the band's essence. However, I can't deny that all these new concepts mixed with a bit of technology, has helped the recent videos to be even more charming without losing it's "belle" atmosphere that we (cuckoos) love so much.


      

quarta-feira, 18 de maio de 2011

31 years ago...The day he's lost control


He’s lost control
What’s behind those eyes?
Like the sound of a glass thrown against the wall
Another family fights
And those eyes tell so many stories for an empty soul
Enjoyment is gone and you’re lost
A shadow fading out in the mist
The pain is intense but you’re still hanging there bouncing and twisting
Those young old eyes had too much beauty to see for life time
Blind folded you take a peek at reality
Just to find out you’re right all along
Nothing makes sense
Like the fear we have from not knowing ourselves
Just like all the made up monsters you want to be
And the concrete scenarios described throw your shouts
Oh, big piercing eyes!
No one but you
Amazing mind
Like a car on the wrong hand
Left shoe in the right foot
A blank canvas on a gallery
Awaking life smells like dreaming
Behind eyes
Clarity and darkness
Nobody was there
But you
Just like after a heavy drinking night
Facing it cowardly
Behind those eyes the thoughts
The saddest true and regrets of certain choices or paths taken
Not even you knew for sure
No one to argue with
In front of your very eyes
You.  

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Um giro por Sampa

Hoje passei um dia muito agradável “sightseeing” pelo centro velho de São Paulo com minha amiga Gabriela, de férias da terra do tio Sam. Após anos morando fora do país, andar descompromissadamente pela cidade vira turismo dos bons. Acabamos redescobrimos a cidade em meio a gargalhadas e reflexões.





Já tinha me esquecido como era dentro da catedral da Sé. Fiquei boquiaberta com aqueles vitrais belíssimos.




Limpando o salão do padre Manoel da Nobraga.